No dia em que a tróica aterra para avaliar contas, índices e indicadores, boa parte dos portugueses está agitada e absorvida pelo mundo da bola. Isto tem que ver com dois motivos principais: primeiro, porque o Benfica joga esta noite para a Liga dos Campeões sob previsões de frio e muita neve e, segundo, pela inevitável chicotada sportinguista que tem levado a imaginação indígena ao topo do céu. A bola mantém, como se comprova, uma função social essencial: entretém o pessoal e faz esquecer um pouco o drama indígena o que, em circunstâncias normais, não tem mal absolutamente nenhum. Marx dizia que a religião era o ópio do povo porque o alienava, porque o desviava das suas verdadeiras causas e porque o orientava para o domínio do espiritual e do intangível. Não vou tão longe e não digo que o futebol seja igual, embora um certo fanatismo me pareça ser de todo irracional e incompreensível e certos assuntos merecedores de um longo e inevitável bocejo. Mas reconheça-se que dá jeito haver jogos do Benfica e as infinitas e risíveis trapalhadas do Sporting. É que assim quase ninguém dará pela chegada da tróica e, imagino, quase ninguém dará pela sua partida. O que não sendo necessariamente bom, também não é necessariamente mau.