Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013

 

O ano começa periclitante, num período que temos como decisivo. Como se acalentava, o Prof. Cavaco enviou as suas dúvidas para o Tribunal Constitucional, sinal de que as suas dúvidas só existem quando o Governo se propõe cortar despesas e não quando o Governo se propõe endireitar as coisas, que é coisa que, como se vê, é difícil de fazer por manifesta impossibilidade teórica, histórica e cultural. Entretanto, a campanha pelo crescimento económico (que pelos vistos só o governo não deseja) continua, como se crescer economicamente fosse algo feito por obra de um acaso ou por decreto-legislativo ou ainda continuando o regabofe que quase nos fez ficar sem pensões e salários em Maio de 2011. Vale que o Dr. Seguro, um socialista com evidente amnésia, incentiva uma festa pré-eleitoral, agora que lhe cheirou o poder, prometendo um mundo que não pode dar e um sonho que não pode perseguir, e demonstrando cristalinamente a triste alternativa que é, uma particularidade do socialismo morto. Claro está ainda, que a opinião generalizada é que a Europa tem de resolver o assunto (ou os nossos assuntos), que é o mesmo que dizer, comprar dívida, injectar dinheiro e promover verdadeira solidariedade entre ricos e pobres, ou seja, fazer os ricos do norte pagar as diatribes dos pobres do sul, ao mesmo tempo que mantemos a audácia de nos mantermos imóveis e esperando que o Governo mendigue melhores condições, menos juros e até perdões. A ruína instituída que tornará 2012 provavelmente num ano de saudade, não abranda, é certo, mas ninguém quer saber do assunto, a não ser do assunto que tenha que ver com o seu umbigo, orifício que se recusa perder. Por certo, é mais fácil abanar para deixar tudo na mesma, do que tentar abanar para não deixar nada na mesma. Com os três últimos primeiros-ministros ausentes do país e fugidos, alguns deles, em parte incerta, sobrou o que sobrou, com a legitimidade conferida pelas urnas de voto. Olhem bem para trás: os três últimos à primeira oportunidade ou fugiram ou foram corridos. Não devemos ter muito mais oportunidades. Agarremo-nos ao que há, antes que seja tarde. Devemos isso a todos os que ainda não votam e a todos os que ainda estão por vir. 



publicado por Bruno Miguel Macedo às 11:14 | link do post

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Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
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