Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

 

Se dúvidas houvesse da mixórdia e da indecência que por vezes nos governam, elas vão sendo rapidamente dissipadas pela suave deslizar dos acontecimentos. O que aqui está é mais um exemplo do nojo a que isto chegou e do total desprezo pelos portugueses. Este surripianço generalizado dos recursos do Estado, garantido pela anuência de gente muito bem posicionada, representa a falência absoluta das instituições e o início de um qualquer sistema social onde aparentemente já vale tudo. É também por isso que estas notícias já nem assustam. Não porque os seus conteúdos não sejam preocupantes, mas porque começamos a vê-las com demasidada frequência sabendo de antemão que ninguém será responsabilizado por mais um buraco de centenas de milhões de euros. Quando é o próprio Estado a fomentar este género de rapinanço criminoso, julgo que já nem precisamos de explicações ou justificações. Na verdade, se durante algum tempo a Europa ainda nos ajudou a evitar a entrada num qualquer terceiro mundo, hoje percebemos que isso foi apenas um mero adiar de uma inevitabilidade. Seja bem-vindo à América Latina.



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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

 

O Dr. Pedro Passos Coelho decidiu hoje embarcar, de armas e bagagens, com o Dr. Relvas na aventura das secretas. As juras de amor garantem, por agora, a sobrevivência política do ministro, mas podem não garantir, depois, a sobrevivência política do governo.

Pormenor à parte, e com o país entretanto enfronhado na crise sem fim à vista, como passam os ministros do CDS incólumes pelos pingos da chuva neste semi-desastre prenunciado?

De modo muito simples. O Dr. Portas anda sempre em parte incerta a fazer “diplomacia económica”; o Dr. Mota Soares mantém-se impávido e sereno assistindo, na primeira fila, à degradação da Segurança Social; e a Dra. Cristas, uma comunista não assumida, excita-se com a criação de medidas dignas da Cuba de Fidel Castro. Naturalmente, e perante a inépcia dos ministros do PSD e de alguma conivência comunicacional, que este trio se ri e se prepara para o pós-crise. Neste ou noutro governo, o Dr. Portas continua a arrepiar caminho e a ensinar aos aprendizes de feiticeiro como sobreviver na política sem grandes ondas e alaridos.

Depois de hoje, ou isto começa a melhorar muito no plano global (e o Dr. Relvas resiste para além do normal), ou o Dr. Passos (e o país, por arrasto) vai a caminho de um lindo sarilho.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 23:56 | link do post | comentar

A situação para além de lamentável, é de todo insuportável. Não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira quando o que está em causa prende-se com um enorme abuso de poder e uma violação dos direitos dos cidadãos. Esta gente não só tem de ser afastada, como também precisa de ser punida. E severamente. Para que se deixe de brincar com coisas sérias e para que o Estado dê um verdadeiro exemplo aos seus cidadãos. Chega de brincadeiras. Doa a quem doer.



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A espionagem de meia-tigela que por aí se fabrica, mostra a cara e o lixo que durante anos produziu. O que tem três significados. Um primeiro onde se revela que as secretas são afinal muito pouco secretas. Um segundo onde se exibe, de forma enternecedora, a loucura que tomou conta desta gente. E um terceiro onde se expõe o perigo real que um cidadão normal corre. No meio do vendaval já conhecido, cujos contornos são revelados em puzzle e à medida que a boca sopra no trombone, não se espere que a coisa dê qualquer tipo de resultado. O mais provável, é que no fim da triste comédia em exibição, ela termine no mesmo de sempre. Afinal, a culpa, quando não morre solteira, só pode ser do mordomo.



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Terça-feira, 29 de Maio de 2012

 

O bom do povo, essa massa anónima à qual todos, com mais ou menos propriedade, pertencemos, tem uma sabedoria imensa nas pequeninas coisas quotidianas que nos servem, para quem quiser aprender, de enormes lições. Na realidade, o conhecimento popular pode não ser científico, pode não ser teórico, mas baseia-se numa experiência sabida, daquela que trespassa os tempos e se cola nas almas e nos destinos das vidas que passam. Se soubéssemos ver, se soubéssemos ler, com acuidade e modéstia, aquilo que a sabedoria popular nos tem para ensinar, cedo repararíamos que certas mensagens se colam em nós na perfeição e que certos erros são apenas atalhos para um inevitável destino.
Hoje, por certo, mais alguns ficaram a saber que a sabedoria popular, que não é lei nem obrigação nenhuma, pode tardar, mas que não deve falhar. Porque quanto maior é a subida, maior é a queda. E isso só a humildade podia ter curado ou evitado.



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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

 

Ao que parece a selecção nacional realizou um jogo treino com a Macedónia cujo resultado final se saldou num nulo futebolístico absoluto. A selecção chegou mesmo a ser vaiada, sinal de que o público, que não adormeceu, pelo menos se entreteu. Entretanto, alguns jogadores mostraram-se tristes pelo pouco apoio do público e pelos assobios perante a monotonia exibida, facto que dizem ser incompreensível.

Não deixa de ser interessante a perspectiva infantil de alguns dos milionários que compõem esta selecção. Aliás, não deixa de ser interessante se pensarmos que estes petizes, porventura, estão ali mais preocupados em competir por melhores contratos, pelas últimas bombas automobilísticas, pelas conquistas amorosas e pelo pleno elucidar do que é estar bem na vida. isto enquanto esturricam dinheiro em sumptuosos estágios de utilidade duvidosa.

Infelizmente, analfabetos há em todo o lado e em todas as classes e profissões. Só não lhes lembrou – aos jogadores da selecção – que os preços pagos pela assistência – e que variavam entre os 5 e os 15 euros – exigia mais aprumo e talvez outra dedicação, nem que fosse por respeito ou decência, tanto fazia. Pena ainda que os rapazinhos não entendam a importância da função que desempenham para um povo massacrado e que neles vê uma esperança. Não se lhes exige o mundo, mas no mínimo exige-se respeito. Por quem paga, e sofre, para ver a tragicomédia que pelos vistos insistem manter em exibição. Habituem-se ou desapareçam. Por mim, tanto faz.



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Num país decente, coisa que manifestamente não somos, já muitas cabeças teriam rolado com esta história das secretas, um manifesto caso de polícia executado por gente perigosa, que usa métodos perigosos para fins perigosos. Mas uma coisa é certa: quanto mais tempo passa, mais insustentável é a posição do ministro Relvas e, por acréscimo, do próprio primeiro-ministro. É por isso que não entendo quem é que é refém de quem nesta situação: se o ministro, da vontade e teimosia do primeiro-ministro; se o primeiro-ministro, por obra e graça dos atributos do ministro.



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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

O edificante “bate-papo” entre os dois principais clubes portugueses revela bem a caducidade de alguns líderes, a personalidade doentia dos seus protagonistas e o sentido maníaco de algumas presidências. Ilustra também uma subliminar e estranha vontade de destruir a credibilidade que ainda possa subsistir no desporto, facto consubstanciado no glorioso esforço que ambos fazem para provar o seu estado primitivo.

Felizmente, não sou daqueles que tenta encontrar argumentos que justifiquem a selvajaria que por aí se instalou – em comunicados, gestos, notícias, arremessos, vídeos, fotografias, agressões e derivados – e que é resultado de anos e anos de uma estranha passividade governativa, talvez adocicada por uma espécie de saudade alimentada por saudosistas do oeste americano.

No dolo evidente que tudo isto causa ao desporto nacional, qualquer pessoa minimamente isenta percebe que no meio desta mixórdia indescritível e indecorosa, ninguém pode ter razão. E também percebe que neste género de passatempo nacional instituído, não há vencedores. Só há mesmo vencidos.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 17:48 | link do post | comentar

O país político num minuto (títulos de notícias retirados da página de política de um jornal online):

“Adjunto de Relvas demite-se”
“Gaspar sublinha envolvimento do PS em amplo consenso”
“Cavaco planta sobreiro em Camberra para promover cortiça”
“PS espera que Governo viabilize audição de Relvas”
“PSD pede intervenção da Procuradoria sobre auto-estradas”
“PS nega entendimento do Governo sobre DEO”
“PSD diz que défice está perfeitamente controlado”
“Site do PSD atacado com imagens de teor sexual”
“Declarações sobre crescimento e emprego são propaganda”
“PS manifestou enormíssima preocupação com o desemprego”

Por entre demissões, sublinhados, semeados, esperas, pedidos, negas, afirmações, declarações e manifestações de preocupação, podemos ficar descansados: o país não acaba hoje.



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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

 

Concedo que há coisas mais urgentes para tratar, mas certas práticas políticas não podem ser um mero empecilho, ridiculamente camuflado, como se as nossas acções não tivessem consequências. O caso Relvas elucida bem a apetência dos governos para o controlo comunicacional, situação que não deve ser branqueada ou minimizada. O que está em causa, o que foi referido e denunciado, é demasiado grave para que não haja um apuramento sincero dos factos e uma explicação cabal de toda a história, deixando em aberto todos os desfechos possíveis.

Contudo, e porque estes assuntos levantam sempre outras perguntas e considerações, se queremos discutir as relações entre políticos e jornalistas e as relações de poder que entre eles se estabelecem, também devemos discutir as simbioses perfeitas que existem e que se consubstanciam em nítidos ganhos para quem “coloca” a notícia e para quem “escreve” a notícia. Neste jogo de interesses, todos têm telhados de vidro. E se há chantagem, então ela exerce-se nos dois sentidos, tal e qual como a pressão é bilateral. Neste mundo não há anjinhos. Convençam-se disso.



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De um lado está o governo, um incorrigível optimista, do outro, estão as instituições que monitorizam as políticas e as estatísticas e que vêem as coisas negras como elas são. De um lado, há a teimosia que se recusa lidar com a realidade, do outro há a teimosia que insiste na própria realidade. A verdade é que a realidade esperada não bate com a realidade sentida e que entre o que se espera e o que sente, há um enorme oceano de onde não se vê nenhum porto de abrigo. Num absurdo, a rota seguida ou leva-nos para o olho do furacão ou leva-nos ainda mais para o meio do oceano. No limite, nada disto fez, ou fará, qualquer sentido.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 16:42 | link do post | comentar

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

O governo, à nora, insiste numa receita cujos resultados são sempre diferentes dos esperados e desmentidos, pasme-se, pelas estatísticas (sim, já não se fazem estatísticas como antigamente). Entretanto, tudo o que havia sido prometido cai por terra: o 2013 passou para 2015, o 2015 passou para 2018, o 2018 passou, com sorte, para 2235. Isto com elevada dose de optimismo, no sentido progressivo do termo.

Pior mesmo, só aquela micose que me dá graças à sensação que me enganam quando o provisório é afinal permanente, o inverosímil é mais do que tudo verosímil e o “não haverá mais medidas adicionais de austeridade” significa “haverá mais medidas de austeridade, só não sabemos bem como é que vamos sacar mais dinheiro a estes otários que trabalham e ainda não perderam o emprego”. Nesta altura, confesso-vos, a comichão exagera, mas também pode ser do bolso leve ou dos impostos que me roubam. (Tenho de mudar de gel de banho.)

Mas espantemo-nos todos com a surpresa que o governo teve com a subida descontrolada do desemprego. Ao fim e ao cabo, o governo passa pelo trauma que uma criança enfrenta quando descobre que não existe Pai Natal. O mesmo senti eu, quando descobri, por culpa própria, que um carro sem gasolina não anda, a não ser que seja empurrado, ou novamente enchido. Que teimoso!

Vale que no mar de excepções em que alguns vivem, apenas se confirmam as regras escritas pelos próprios para os próprios que aqui são outros, embora sejam, na verdade, sempre os mesmos. Aliás, as anteriores políticas de reforma (manifesto eleitoral, legitimado, e livro, publicado e tudo) celeremente ficaram em meras reformas de política, na velha tradição de baralhar para dar de novo, como numa boa sueca, onde o mais batoteiro fica sempre com os trunfos todos.

No ocaso triste deste nosso destino, onde nem o primeiro-ministro parece contar, manda definitivamente o homem das finanças que o resto, se conta, conta nada ou conta pouco ou chama-se tróica. Eis uma triste história portuguesa.



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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

 

Fim de semana óptimo para me dedicar ao livrinho da foto. Descobri este autor depois de ter lido uma compilação de textos seleccionados por ele sobre história alternativa ou, se preferirem, sobre história contra-factual. Esse livro tem o sugestivo nome de “História Virtual”. Daí para cá já coleccionei do mesmo autor “A Ascensão do Dinheiro”, “Civilização – O Ocidente e os Outros”, um livro que muito recomendo, e este que aqui está exposto. Foi o mais difícil de encontrar, mas finalmente ele chegou às minhas mãos.
Niall Ferguson é o historiador que mais me impressionou, positivamente, nos últimos tempos. Isso deriva de um atributo que valorizo imenso: ele é capaz de apresentar conclusões incomuns ou fora daquilo que damos por adquirido. Mas essas conclusões, ou essas possibilidades de interpretação, não são obra de um nada. Resultam da quantidade de informação que ele disponibiliza ao leitor e da tentativa permanente de tentar descortinar os verdadeiros resultados das acções, ou das intenções, dos diferentes sujeitos históricos que conduzem, influenciam ou transformam os processos históricos, sem descurar o papel do que entendemos como imprevistos ou acasos.
Para quem gosta de ler outras perspectivas, para quem gosta de acrescentar e de melhorar conhecimentos e para quem gosta de boas polémicas, este é um dos autores incontornáveis da actual História que se escreve no Mundo.



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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Aforismo de um tempo velho: “I did not have sexual relations with that woman [Monica Lewinsky]“ – Bill Clinton, 26 de Janeiro de 1998, Casa Branca.

Aforismo de um tempo novo: “Há uma diferença entre receber SMS e emails e trocar SMS e emails” – Miguel Relvas, 15 de Maio de 2012, Assembleia da República.



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Completamente viciado nesta série dinamarquesa e nesta senhora de nome Sofie Gråbøl. Grande televisão de produção europeia - já exportada para os EUA - e o exemplo perfeito de que se fazem coisas muito boas com aparentemente poucos recursos. Um grande argumento, um leque extraordinário de actores, personagens psicologicamente complexas e uma realização de cortar a respiração são os ingredientes perfeitos para nos levar dos meandros de uma investigação a vários homicídios de membros de um pelotão dinamarquês que actuou no Afeganistão, até às cúpulas do poder político, envolvidas na guerra ao terrorismo e na necessidade da sua justificação perante a opinião pública. Há pouca coisa que se compare com isto. Acreditem.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 11:46 | link do post | comentar

Como matar três coelhos com uma cajadada só?
1- Fazer um apanhado de todos os grevistas que brincam às greves nos aeroportos nacionais.
2- Colocar o nome de cada um dos grevistas numa tômbola.
3- Sortear nomes até perfazer o equivalente a 2% do número total de funcionários existentes em cada função.
4- Despedir os felizes ou infelizes contemplados, conforme a perspectiva.
1º Coelho: deixam de brincar às greves.
2º Coelho: despede-se apenas aqueles que não querem efectivamente trabalhar.
3º Coelho: cumpre-se um dos objectivos da tróica.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 10:05 | link do post | comentar

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Ensinaram-me, há muito tempo, que uma das funções objectivas do Estado passa pela promoção de formas éticas de comportamento na comunidade nacional. Olhando para isto, para esta lição de política rasteira mal explicada e indecorosa, vemos que hoje o que se fomenta é exactamente o seu oposto: quanto menos clara for a nossa actuação, melhor nos aguentamos na borrasca. Com exemplos destes, não nos venham pedir milagres.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 11:29 | link do post | comentar

 

Na via do aperto, a do colete em que nos agarraram, a solução passa por cumprir escrupulosamente os critérios definidos pelo exterior e ficar a contemplar a nossa imperiosa desfaçatez de só nos sairmos bem por força da incauta necessidade nossa e por força da incauta necessidade imposta pelos outros, ainda que os outros nos sejam indiferentes mal se ponham daqui para fora. O empréstimo, por exemplo, a juros pouco modestos, é agonia certa para um moribundo que não se sabe ainda se sofrerá da tal eutanásia predita ou se sofrerá de um milagre medicinal. Mas se uma imagem vale mais do que mil palavras, ou melhor, se uma máxima vale mais do que mil explicações, hoje penso que o povo tem razão, ainda que a razão que tenha raramente seja de boa aplicação ou, como diz um certo fenómeno de massa, seja coisa que nem sempre lhe assiste. De facto, não há duas sem três, ainda que à terceira, acrescento eu como por aí também se diz pela boca do bom povo, também possa ser de vez. Outros, mais cínicos, diriam agora que a história se repete. Claro que no cinismo há uma primeira vez feita tragédia e uma segunda, dizem alguns, feita comédia. Mas cair na terceira, como nós infantilmente caímos, já só pode ser, na minha modesta e humilde opinião, um problema de amor não correspondido. Isto claro, se eu agora fosse um romântico. Um incorrigível e desnaturado romântico.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 11:24 | link do post | comentar

Terça-feira, 15 de Maio de 2012

80% dos gregos afirma querer continuar no euro. Contudo, uma maioria deles parece também querer insistir no voto em partidos extremistas cuja única solução parece ser a saída do euro. Um velho ditado popular diz que o pessimista queixa-se do vento, que o optimista espera que o vento mude de direcção e que o realista se limita a ajustar as velas. No caso exemplar grego, parece que a coisa funciona de modo diferente: o pessimista grego queixa-se do barco, o optimista grego foge do barco e o realista grego rebenta com o barco.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 12:39 | link do post | comentar

Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

A vergonha no Estado continua de vento em popa. Depois de alguns funcionários públicos terem garantido a manutenção dos seus subsídios (uma medida incompreensível face ao argumento da urgência nacional), sabe-se agora que mais algumas empresas e institutos públicos vão ficar à margem das reduções salariais já em vigor (entre os 3,5% e os 10%) e que, inclusive, alguns dos seus gestores não vão ser abrangidos pelo tecto salarial mensal sugerido pelo novo estatuto dos gestores públicos e que ronda os sete mil euros. É sintomático que o Estado continue a tratar o que é igual de forma diferente. E é sintomático que seja este mesmo Estado (ou Governo) a promover a criação de castas dentro dos seus colaboradores. No fundo, o que aqui se atesta e testemunha, é que neste país as excepções não só confirmam as regras, como também se tornam, rapidamente, em regras por si próprias.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 16:23 | link do post | comentar

Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
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