Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014
1- A queda abrupta de nascimentos regista-se invariavelmente a partir da década de 90, atingindo o seu auge no ano de 2013 (menos 62230 nascimentos entre 1991 e 2013).

2- Se o problema fosse essencialmente económico, os casais da classe alta teriam 4, 5, 6 ou 7 filhos (e não têm) e a Alemanha não teria uma taxa de natalidade mais baixa do que a nossa (e tem).

3- Se o problema fosse essencialmente económico, os períodos de crescimento económico registariam mais nascimentos do que os períodos de recessão. Mas não é isso que acontece.

4- Se a demografia for utilizada pelos políticos como arma de arremesso – através da economia, das finanças públicas ou da austeridade como argumentos de fundo – não resolveremos o problema.

5- Se os políticos pensarem que o problema se resolve exclusivamente com a criação de estímulos e de incentivos económicos, vão pelo caminho errado.


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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

 

“Portugal vive hoje, sem dúvida, uma das horas mais graves, senão a mais grave, da sua História, pois nunca as perspectivas se apresentaram tão nebulosas como as que se deparam à geração actual. E não se julga necessário fundamentar esta afirmação em análise histórica mais detalhada do que aquela que nestas páginas apresentamos; pois nas crises do passado, atentas a situação mundial e as características demo-económicas das épocas em que se projectaram, jamais a essência da Na...ção, a segurança física e o bem-estar material de tantos dos seus cidadãos estiveram em tão grave risco como o estão no presente. As crises passadas foram, essencialmente, crises de independência política que comprometeram, é certo, o Estado Português na sua estrutura de poderes, sem que todavia estes deixassem de ser exercidos sob tendências coevas. Os grupos de pressão, quando surgiam, não se apoiavam na consciência colectiva, antes resultavam de ligações afectivas, tradições familiares, reminiscências de antigas clientelas, prevalência de ligações de inspiração feudal, ou tendências mítico-religiosas. O poder político, fortemente apoiado nos dogmas dinásticos, corporizava o Estado. E nessas crises, o que sempre esteve em causa foi exactamente esta arquitectura.” – António de Spínola, Portugal e o Futuro, pp 19-20, 1974. O que mudou em quarenta anos?


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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014
PROBLEMA – A administração de uma grande empresa aumentou o seu regime laboral de 35 para 40 horas semanais. Contudo, já percebeu que:

1- No departamento A, alguns funcionários fazem 35 e outros 40 horas por semana.

2- No departamento B, os funcionários sindicalizados fazem 35 horas e os não sindicalizados 40 horas.

3- No departamento C, todos os funcionários fazem 35 ou 40 horas consoante a vontade do chefe.

4- No departamento D, os funcionários sindicalizados fazem 35 horas e os não sindicalizados 40 horas. No entanto, o chefe ainda não decidiu se, de futuro, todos farão 35 horas ou se apenas os sindicalizados.

5- No departamento E, há funcionários de secções que fazem 35 horas e há funcionários de secções que fazem 40 horas, sejam ou não sindicalizados.

6- Em todos os departamentos – independentemente das secções onde estejam incorporados – é possível encontrar funcionários que fazem 35 horas e funcionários que fazem 40 horas.

7- Há funcionários sindicalizados que fazem 35 horas e funcionários sindicalizados que fazem 40 horas.

8- Há funcionários não sindicalizados que fazem 35 horas e funcionários não sindicalizados que fazem 40 horas.

9- Faça 35 ou 40 horas, um funcionário numa mesma função – seja ou não sindicalizado – ganha exactamente o mesmo.

10- Quantas castas há na Função Pública?


publicado por Bruno Miguel Macedo às 10:40 | link do post | comentar

Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014
Os que garantem que os Mirós têm mercado são os mesmos que garantem que o Fernando Tordo é um injustiçado. Esta aparente incongruência demonstra e resolve os seguintes pressupostos:

1- Que um cantor vive do seu trabalho, logo dos discos que vende e das receitas que faz pelos seus espectáculos.

2- Que um museu vive ou de mecenas, ou de receitas de bilheteira e outras associadas ao próprio museu.

3- Não estando garantidos os pontos 1 e 2, o Estado (os contribuintes) tem de financiar ou sustentar estas actividades.

4- Que 99% daqueles que tanto se insurgem contra a emigração do Fernando Tordo, não têm discos dele (comprados, não pirateados) e nunca assistiram aos seus concertos (pagando, e não indo de borla ou como convidado).

5- Que 99% dos que gritam contra a venda dos Mirós, não distingue um Miró de um Picasso. Eu também não distingo.

6- Que ninguém em Portugal está disposto a pagar um cêntimo para ver, ouvir ou ler seja o que for.

7- Que o destino quer dos quadros, quer do Fernando Tordo, é ir para o estrangeiro porque não está garantido o ponto 3.


publicado por Bruno Miguel Macedo às 12:18 | link do post | comentar

Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014

(Foto: AP Photo/Efrem Lukatsky)

 

À medida que o fim da II Guerra Mundial na Europa se aproximava, o Exército Vermelho ocupava, um a um, os países de Leste enquanto a Wehrmacht, inapelavelmente derrotada, retirava. Países como a Hungria, a Bulgária, a Checoslováquia, ou a Jugoslávia viram os soviéticos como libertadores. Mas houve outros países e regiões que sabiam, por experiência própria, o que representava essa libertação/ocupação pelas mãos soviéticas.

A Polónia e as Repúblicas do Báltico eram alguns desses exemplos - tinham sido todas invadidas e ocupadas pelos soviéticos entre 1939 e 1940 depois do pacto Ribbentrop-Molotov -, tal como a Ucrânia, que pela fome e pelo Grande Terror dos anos 30 já tinha sentido de perto com quantos milhões de mortos se fazia o socialismo estalinista num só país.

Em Junho de 1941, quando a Alemanha invadiu a União Soviética, os ucranianos – como também os lituanos, os estónios e os letões – viram ali a sua oportunidade de vingança contra os soviéticos e muitos deles colaboraram com os alemães.

Mas quando a maré virou definitivamente a favor dos Aliados, após o desastre de Estalinegrado e de Kursk, o destino destes países e regiões estava traçado. Nas cimeiras posteriores dos “Três Grandes” (Churchill, Roosevelt e Estaline) em que já se decidia sobre os despojos da guerra, Roosevelt tentava minimizar os apetites e exigências de Estaline, mas Churchill entendia muito bem o que rapidamente estaria em causa. Roosevelt não chegou a ver as consequências da sua inércia, mas Churchill, que lhe sobreviveu, provou ter razão.

 

(Foto: Reuters/Andrew Kravchenko)

 

 

A experiência sobre a ocupação soviética anterior levou letões, lituanos, estónios e ucranianos a iniciarem uma luta de guerrilha contra o seu “velho” ocupante: o Exército Vermelho. Entre 1944 e 1950, guerrilheiros mais ou menos organizados destes países, tentaram resistir, mas o seu papel acabou por ser inglório e nunca conseguiu o seu objectivo principal: levar à intervenção do Ocidente. Só na Ucrânia este movimento de resistência chegou a contar com 400 mil homens. Nas Repúblicas do Báltico, esses movimentos eram mais pequenos, mas ficaram conhecidos como os “Irmãos da Floresta”, o que lhes conferiu, posteriormente, uma aura mística e um certo estatuto de lenda. Mas contra um exército de milhões, que utilizou as tácticas mais abjectas, pouco ou nada poderia ser feito a não ser morrer à procura da glória.

 

O resto da história já sabemos mais ou menos como foi: depois de esmagada a resistência, a Ucrânia voltou a ser uma República Soviética, tal como os pequenos estados do Báltico, enquanto nos restantes países de uma Europa de Leste ocupada, Estaline instalava regimes fantoches que servissem os seus interesses. Todos esperariam mais de 40 anos até voltarem a sentir o doce sabor da liberdade.

Olhando para estas imagens, e percebendo um pouco desta história, talvez saibamos de antemão como esta nova "batalha", em Kiev, vai terminar.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 12:47 | link do post | comentar

Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014

1- O João tem um negócio prestamista virado para o mercado de futuros. A troco de um investimento de 1200 galinhas, ele garante dividendos, a partir da quarta semana, no valor de 100 galinhas por mês, durante um ano.

2- O Pedro investiu 1200 galinhas e à quarta semana começou a receber 100 galinhas por mês.

3- O João, satisfeito com o Pedro, propõe-lhe que ele arranje mais dois investidores, nos mesmos moldes, ganhando o Pedro mais 5 galinhas por semana por cada investidor novo e recebendo, cada um dos novos investidores, as mesmas 100 galinhas a partir da quarta semana.

4- O Rui e a Maria entram, então, no negócio. E o João, satisfeitíssimo com eles, sugere que cada um deles encontre mais dois investidores para um negócio nos mesmos moldes.

5- Entram então o José, a Joana, a Inês e o Miguel. Cada um deles com 1200 galinhas, num total de 4800 galinhas.

6- A determinada altura, o João tem no seu investimento 1200 galinhas x 7 investidores, ou seja 8400 galinhas.

7- Mas sabe que terá de pagar 48 (semanas) x 7 (investidores) x 100 (galinhas por mês) = 33600 galinhas para que nenhum investidor se sinta defraudado. E isto sem contar com as pequenas comissões aos angariadores de clientes.

8- Percebe então que tem um problema entre mãos: os ovos vendidos não cobrem as despesas e ele não tem galos suficientes para reproduzir galinhas.

9- Com uma ideia luminosa, ele lembra-se de correr para a frente e de atrair mais investidores para, por 1200 galinhas, fazerem parte da pirâmide que ele vai construindo, numa razão exponencial. Nas contas dele, basta que cada novo participante traga dois amigos, e a coisa resolve-se. Ou adia-se.

10- A determinada altura foi impossível encontrar galinhas para pagar aos investidores. Adivinhem quem perdeu as suas galinhas?



publicado por Bruno Miguel Macedo às 10:51 | link do post | comentar

Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

Naquele tempo imaginávamo-nos fechados numa espécie de redil, à espera que nos soltassem para a vida. E, quando o momento chegasse, as nossas vidas – e o próprio tempo – acelerariam. Como podíamos saber que, de qualquer modo, as nossas vid...as já haviam começado, que já levávamos vantagem, que algum dano já fora infligido? E também que a nossa libertação seria simplesmente para um redil maior, cujas fronteiras eram no início indiscerníveis. Entretanto, tínhamos fome de livros, fome de sexo, éramos adeptos do mérito e da anarquia.”

Tony Webster viveu toda uma vida aparentemente normal: teve as suas fraquezas de juventude, estudou, arranjou um emprego, teve uma carreira, casou, teve uma filha, divorciou-se. Agora, reformado, olha para trás e julga ter pautado toda a sua existência com correcção e sem nunca ter magoado ninguém. Mas, e como acontece quase sempre, o passado, que tantas vezes julgámos distante, regressa para criar verdadeiros tormentos. E é então que ele descobre que a memória – a sua memória – pode ser traiçoeira e que certas coisas que ele viveu não foram vividas como ele pensa que as viveu.
À medida que Tony vai descobrindo que os seus actos – esquecidos ou reinventados na memória – tiveram, afinal, consequências, ele vê-se, perante a verdade, acossado pelo remorso e pela impotência, percebendo essa impossibilidade de remover ou de corrigir o passado.
Quando se lê um livro desta craveira, inundado de passagens sublimes, percebemos que escrever sobre a vida é também revelá-la na sua impiedade. E a vida é impiedosa porque todos nós temos dramas que tentamos esquecer, medos que não queremos mostrar e falhas que não queremos reconhecer.Ver mais


publicado por Bruno Miguel Macedo às 11:05 | link do post | comentar

Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

 

No fim de Maio, na noite das eleições europeias, quando a carismática líder da Frente Nacional francesa, Marine Le Pen, surgir a acenar de uma varanda a uma multidão na rua, não haverá mais volta a dar. Nesse dia, os líderes europeus, os que lideram e os que cegamente obedecem, perceberão então a grandeza do tigre de papel que criaram e a inflamabilidade do marasmo e da inacção. Não terá sido por falta de aviso.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 12:14 | link do post | comentar

Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014

1- De acordo com o PS o Estado não deve ter jornais e revistas.

2- De acordo com o PS o Estado pode (e deve) ter televisões, rádios e agências noticiosas.

3- Os que defendem o fim do dos jornais e das revistas na posse do Estado devem manter a sua coerência e também defender o fim da propriedade do Estado nas televisões, nas rádios e nas agências noticiosas.

4- Os que não querem a saída do Estado das televisões, das rádios e das agências noticiosas não podem - como corolário lógico - defender essa mesma saída do Estado dos jornais e das revistas.

5- Aqueles que não conseguem perceber esta diferença estão desconfortáveis e fazem os habituais números de contorcionismo.

6- Aqueles que são contra qualquer espécie de propriedade pública de órgãos de comunicação social, como eu, estão confortáveis.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 16:50 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
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