Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2016

nyctofilia.pngO Dr. Costa decidiu promover uma série de vídeos onde quer mostrar as virtudes do seu/nosso orçamento. A coisa é curiosa e, ao mesmo tempo, sublime. Por dois motivos principais, ainda que antagónicos.

Por um lado, o exercício é pura propaganda, sem tirar nem pôr, sobre um documento que sabemos não ir chegar ao fim sem remodelação profunda, e daí a curiosidade em conhecer o modo como se tenta justificar um aumento de impostos como uma baixa de impostos ou o fim da austeridade com mais austeridade. Os argumentos não são bons, mas são originais, e aí não há desilusão.

Por um outro lado, o Dr. Costa olha, enquanto fala, não para nós, mas para o papel que lhe puseram ao lado da câmara e que religiosamente tem de ler sem se enganar. Este exercício é sublime e prova, primeiro, que o Dr. Costa sabe seguir um guião e, segundo, que sabe seguir um guião sem se engasgar. Porém, em certos momentos do suplício ficamos na dúvida se o primeiro-ministro acredita no papel (em sentido figurado) que representa e no papel (em sentido literal) que tem à frente. Eu acho que ele não acredita nem numa coisa nem noutra. Mas não tenho a certeza.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 14:46 | link do post | comentar

Mais de metade do orçamento da Cultura é para pagar a RTP. Fosse isto o governo de outras cores políticas e os puritanos veriam aqui a mão que embala o berço e aquece os corações. Não sendo, resta perceber que os socialistas (e bloquistas e comunistas) sabem muito bem que o aparelho de Estado se divide em dois: no repressivo (polícias, militares, autoridades, tribunais, etc) e no ideológico (comunicação social, educação, sindicatos, etc). Uma maioria de esquerda vale bem o pastoreio desta pátria, sustentada por quem paga impostos, enquanto educa essa mesma pátria e o grosso da sua clientela. Althusser mantém-se actual. E eles não esquecem a cartilha.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 09:52 | link do post | comentar

Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

Isto não devia ser uma luta entre esquerda e direita, mas sim uma luta, honesta e responsável, por um país melhor. Por um país que não viva do constante endividamento nem ao sabor de quimeras imaginadas e inalcançáveis. Por um país sério e próspero. Por um país que não seja como Prometeu, esse filho de titã, que nos abençoou com a luz para depois nos amaldiçoar com a esperança.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 17:28 | link do post | comentar

Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

dormiveglia.pngNão satisfeito com a ribalta trazida pelas ideias abstrusas e rapidamente enterradas na Grécia, o Sr. Varoufakis pretende lançar o movimento “Democracia na Europa 2025” e, quiçá, ser candidato ao Parlamento Europeu em 2019. Na lista de subscritores do movimento não faltam dois dos habituais insuspeitos portugueses: o criador do Livre (lembram-se?) Rui Tavares e o inestimável Prof. Boaventura (que vem amiúde dar sinal de vida de Coimbra para o Mundo), dois sujeitos que vêem em todas as oportunidades, uma verdadeira oportunidade de assinar movimentos, manifestos e a papelada que lhes ponham à frente.

O que quer o Sr. Varoufakis (e os Profs. Tavares e Boaventura, por arrasto)? O Sr. Varoufakis quer o que toda a gente quer: que a vida seja fácil e que o dinheiro abunde por obra de um qualquer milagre que ele prefere não explicar. Ou por outra, que até explica embora sem grande sucesso, mesmo que em conferências pagas a peso de ouro onde ele perora sobre o estado do capitalismo que abomina mas que, com primor, lhe permite manter a vida faustosa que alimenta. O problema de fundo é, contudo, sempre o mesmo: nas ideias do novo movimento, essa vida fácil não é possível pela falta de democracia europeia (é verdade que há falta de democracia na Europa), graças ao neoliberalismo (esse papão) e fruto das directrizes alemãs (de que o Sr. Schauble é o testa-de-ferro). Na verdade, cinco minutos de conversa bastariam para ver os argumentos gastos, ainda que revestidos com nova designação. E agora que o Sr. Varoufakis vê a Europa igual aos anos 30 do século passado, isso demonstra que, ou ele conhece muito pouco da história, ou que a história já não se reconhece. Tanto faz.

Ainda assim, é maravilhoso ver o modo como a esquerda caviar, de cachecol Burberrys e sedenta de protagonismo fácil, continua a perorar sobre o mundo, como se o mundo fosse uma inesgotável fonte de experiências onde se aplicam os conceitos teóricos obtidos essencialmente nas universidades em projectos práticos transpostos para a vida real. Como muito bem sabemos o socialismo real não se recomenda e aí sim, a história que pelos vistos o Sr. Varoufakis só vê para um lado, está cheia de exemplos. De pouco adianta que os exemplos sejam sobre milhões de cadáveres de inocentes e que o socialismo não tenha produzido uma única boa ideia. Para a trupe que prepara o seu enésimo movimento, o paraíso deles é um miliagre já ali ao virar da esquina de 2025. O nosso calvário, se por um outro milagre depender destas mentes, também.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 12:41 | link do post | comentar

Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2016

262587_283737655095411_512421832_n.jpgAlguém, certamente imbuído do espírito carnavalesco que se vive nesta época, propôs o nome de Donald Trump para Nobel da Paz. A justificação merecia um comentário, mas não é isso que importa para o momento até porque o mundo já consagrou Arafat, Obama, Jimmy Carter, Al Gore ou a União Europeia com este distinto galardão, sinais claros da decadência do prémio em si. Mas confesso que não deixo de rir.

A ferocidade pela atribuição de prémios para tudo e coisa nenhuma, elucida com primor o mundo de loucos em que vivemos. Há prémios para tudo o que se consiga imaginar, incluindo o que não se consegue. Não estar nomeado para nada, tornou-se a excepção e não a regra.

Com este caso não é muito diferente. Mas como todos sabemos que há aqui publicidade enganosa (foi apenas uma alminha anónima que o sugeriu), que ele não vai ganhar (não é da denominada esquerda caviar) e que o mundo continuará exactamente como está (depois de Arafat tudo é literalmente possível), também sabemos que Obama já ganhou o mesmo e que ninguém se riu, incluindo ele.

Sendo o que é, o Nobel da Paz vale mais pelo simbolismo do que pelo discurso de ocasião, estando cada vez mais parecido com o da literatura que com frequência nos brinda com ilustres anónimos que vêem as suas vendas disparar para números astronómicos devido, não a novos escritos, mas a novas encadernações. E a não ser que queiram ridicularizar definitivamente o assunto, Trump fica bem entre os potenciais nomeados: tem um discurso cómico, arrasta multidões e diz tudo o que pensa, mesmo que não pense grande coisa. No fundo, ninguém leva a sério: a ele e, por arrasto, o prémio.

Num ambiente orquestrado pelo politicamente correcto, note-se a ousadia de chamar para a festa o mais politicamente incorrecto dos seres que pululam no planeta. Talvez com um objectivo claro: tudo o que aparecer ao lado de Trump parecerá bem e talvez não faça notar a também inverossimilidade de certas figuras que por ali vão aterrar. Mas no fim das contas, este ano ninguém ganhará o prémio. É Donald que o vai perder. E nós, por solidariedade, também.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 15:53 | link do post | comentar

Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2016

kalopsia.pngDe pouco adianta a acusação balofa de falta de patriotismo que o governo lança à oposição. Porque falta de patriotismo é assistir a isto como se não fosse nada connosco e como se a irresponsabilidade ainda pudesse ser aplaudida, talvez ficando felizes com um "amanhã que canta" ou com um país melhor por obra da hipótese de um milagre já ali ao virar da esquina. Não há milagres desta natureza e os tempos são perigosos. E se a faustosa festa que se prometia no papel duraria uns bons meses, a ressaca na vida real duraria certamente uns bons anos. Logo, perder mais tempo não é apenas contraproducente, é também um modo de assumir aquilo que já não pode ser negado: a infantilidade com que alguns querem gerir o processo do Orçamento do Estado para 2016. Cresçam, se fazem favor.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 12:08 | link do post | comentar

weji.pngAntónio tinha um sonho: ser líder da aldeia. Não o conseguindo com legitimidade, conseguiu-o através de um golpe que meteu umas facções descontentes com a antiga liderança, após uma troca de favores.

Quando chegou ao palácio da aldeia, António quis mudar os móveis, o serviço e o grosso da política de gestão. António queria mudar tudo sem hesitar, porque o tempo era novo, o tempo era diferente.

Para a execução da tarefa, António chamou Mário, um conceituado economista de papel, também conhecido por dizer tudo e o seu exacto contrário. Mário aceitou de bom grado a sugestão e até tinha um plano inicial do agrado de António que havia sido chumbado quando António tentou chegar ao poder pela via legítima. Mas isso não foi problema.

Entretanto, e inebriado pelo sabor do poder, António decidiu que mudar os móveis, o serviço e a política de gestão não era por si só suficiente. Queria agora uma verdadeira revolução que não deixasse nada igual ao que era antes: queria transformar a aldeia num El Dorado. Mário, que antes entendera a revolução como um caminho a evitar, prontamente apresentou um novo plano que deixou António em êxtase e no limite de um orgasmo. O plano era simples e muito prático: distribuir mais pela aldeia, arrecadar menos dos aldeões e ser exactamente o contrário do plano inicial. Parecia a fórmula da alquimia nunca encontrada.

Tudo corria bem, até que António percebeu que dependia de forças que não controlava para a execução do mirabolante plano. Nesse momento, António decidiu espernear, com a ajuda de um tal Pedro e de um tal João, e gritar que havia um complô contra ele. O mundo inteiro unia-se para lhe fazer a vida negra, foi esta a sua nobre conclusão. Começou então em reuniões com as aldeias vizinhas, mas as aldeias vizinhas não pareciam estar pelos ajustes. Na verdade, António dependia não de forças de estranhas, mas de um pacto entre aldeias que lhe garantia dinheiro emprestado e que lhe permitia manter a sua própria aldeia dentro dos limites dessa união de aldeias. Em troca, as outras aldeias exigiam-lhe um mínimo de responsabilidade, um mínimo de credibilidade, e que António lhes pagasse sem falhas, pelo menos enquanto a alquimia não funcionasse e não houvesse ouro suficiente para pagar as dívidas entretanto acumuladas.

Mas António não estava pelos ajustes. E decidiu, numa bela manhã de inverno, partir para a guerra com um conjunto de generais mal preparados (os nossos já conhecidos Mário, Pedro e João), mas muito bons em termos teóricos. Foi munido do espírito de sacrifício e muito incentivado, curiosamente, pelos líderes das facções que o suportavam na aldeia, os nossos ainda desconhecidos Francisco, Jerónimo, Catarina e Mário II (para que não se confunda com o primeiro Mário).

Obviamente que a união que faz a força, e o exército da aldeia, após derrota estrondosa, foi obrigado a regressar às casernas e António, o general desta epopeia, foi obrigado a regressar ao palácio. À sua espera estavam os que outrora tanto o incentivaram, Francisco, Jerónimo, Catarina e Mário II, agora já nossos conhecidos, que prontamente lhe perguntaram pelas vitórias que tão faustosamente lhes prometera. António, caído em desgraça, simulou uma enxaqueca e abandonou a reunião. Lá fora, estava reunida a comissão de moradores da aldeia. O ambiente não era bom, mas António ainda tinha um truque na manga: iria transformar mais uma derrota numa vitória.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 11:37 | link do post | comentar

Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016

oneirataxia.png1- Como é natural, quando há um défice excessivo e não se corta na despesa, a fórmula que sobra é fazer crescer a receita. Logo, vai haver aumento de impostos.

2- Esse aumento de impostos, pelo que nos é dado ver, vai incidir sobre os combustíveis, a compra de automóveis, a banca, o álcool, o tabaco, os lucros das empresas, o IMI dos fundos imobiliários e as heranças e sucessões, sem falar em tudo o resto que já existe.

3- Isto tem consequências no desenvolvimento do país porque um aumento de impostos significa menos dinheiro disponível do lado dos contribuintes e dos investidores.

4- Uma projecção pode estar imbuída de dois defeitos: um primeiro prende-se com o excesso de optimismo; um segundo tem que ver com as variáveis incontroláveis que militam na equação. (Por exemplo, não houve uma única alminha que tenha previsto a derrocada do preço do petróleo, mas ela aconteceu)

5- Dizer que o défice vai ser de x ou y, que o desemprego vai ser de a ou b ou ainda que a dívida pública vai ser de t ou w, é um exercício teórico que pode não ter correspondência com a realidade. Na verdade, qualquer mudança nas variáveis da equação provoca efeitos no resultado da mesma, incluindo em outras variáveis que nem constam da equação, o que obriga a um permanente refazer da mesma.

6- Numa situação de impostos altos, o mais natural é que o investimento diminua e o desemprego aumente. A não ser que o governo esteja a pensar injectar dinheiro (que não há) em obras públicas (que não estão previstas), não se percebe como é que se vai minimizar o efeito do desemprego (quando ainda por cima aumentou o salário mínimo e mudou as regras de contratação).

7- Não se percebe, mas não quer dizer que não aconteça. Mas um acontecimento inesperado é uma coisa, um caminho inexplicável é outra bem diferente.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 14:42 | link do post | comentar

Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016

chiptease.jpg A bazófia vai valer até o momento em que o ar que vive dentro do saco seja tão evidente que se torne impossível disfarçar que ele não tem nada dentro. Nesse momento, os irresponsáveis que teimam em puxar a corda, vão vê-la rebentar sem um mínimo de aviso. Culpa de quem? Certamente que a culpa é, e será sempre, dos outros: da UE, de Passos, do vizinho, do dono do café, das agências de notificação, de Schäuble e do Diabo, da Mossad, da Abelha Maia ou do que calhar, incluindo esse desenterrado Relvas. Nunca deles, porque eles nunca têm culpa de nada, e porque anos e anos já passaram (parecem séculos tal a leviandade) desde a última bancarrota.

Estão sem consciência presos nesse labirinto, onde um caminho leva à parede e o outro não leva a lado nenhum. Estão com a boca cheia de ideologia, manietados pelas tipas bem-falantes que passam bem no ouvido, no olho e na televisão e que se chamam ou Catarina, ou Mariana, ou Marisa, mas cuja mensagem é sempre igual: mate-se o que é diferente; esfole-se quem ainda tem; acabe-se com o que não interessa; faça-se como a fénix e renasça-se de cinzas (que não estão lá!). Todas diferentes e, no fundo, todas tão iguais. Um horror, portanto.

A insignificância europeia desta trupe, deste circo ambulante, é inversamente proporcional à irresponsabilidade com que dirigem o barco rumo ao rochedo iluminado pelo farol. Mas o povo não merecia. Não merece. Porque o barco vai carregado, não de iluminados, não de bem instalados, não de burgueses armados em revolucionários, não de pseudo-intelectuais que não sabem nada da vida, mas sim de gente inocente que só quer estabilidade, de gente boa que só deseja o fim desta politiquice, de gente honrada que não quer isto, que nunca quis isto; de gente que só quer seguir com a sua vida e que a deixem em paz.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 16:44 | link do post | comentar

Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2016

destinesia.jpgEra bom que o Orçamento do Estado para 2016 fosse o mar de rosas prometido por Centeno e Costa. Isso significaria que o país estava melhor e que a conjuntura, interna e externa, favorecia o nosso crescimento, o tal “tempo novo”. Mas, infelizmente, (digo-o com pena, não com qualquer sombra de sarcasmo ou ironia) não é assim que acontece. E não adianta sequer pensar que são os outros todos que estão errados e que o único certo, nesta equação, é o governo do partido socialista, porque estamos presos nos arames e na boa-vontade de uma única agência de rating que, mudando a sua orientação, nos afunda sem contemplações. O governo tem de ser consciente e olhar para a situação com responsabilidade até porque há uma distância enorme entre o sonho utópico de dar o que se quer e a realidade crua que nos traz de volta e que só nos permite dar o que se tem. Basta, então, de palavras floreadas e desse passatempo nacional de passar as culpas para os outros. Os portugueses estão fartos destes joguinhos e destas artimanhas.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 15:09 | link do post | comentar

Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
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