Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014

(Foto: AP Photo/Efrem Lukatsky)

 

À medida que o fim da II Guerra Mundial na Europa se aproximava, o Exército Vermelho ocupava, um a um, os países de Leste enquanto a Wehrmacht, inapelavelmente derrotada, retirava. Países como a Hungria, a Bulgária, a Checoslováquia, ou a Jugoslávia viram os soviéticos como libertadores. Mas houve outros países e regiões que sabiam, por experiência própria, o que representava essa libertação/ocupação pelas mãos soviéticas.

A Polónia e as Repúblicas do Báltico eram alguns desses exemplos - tinham sido todas invadidas e ocupadas pelos soviéticos entre 1939 e 1940 depois do pacto Ribbentrop-Molotov -, tal como a Ucrânia, que pela fome e pelo Grande Terror dos anos 30 já tinha sentido de perto com quantos milhões de mortos se fazia o socialismo estalinista num só país.

Em Junho de 1941, quando a Alemanha invadiu a União Soviética, os ucranianos – como também os lituanos, os estónios e os letões – viram ali a sua oportunidade de vingança contra os soviéticos e muitos deles colaboraram com os alemães.

Mas quando a maré virou definitivamente a favor dos Aliados, após o desastre de Estalinegrado e de Kursk, o destino destes países e regiões estava traçado. Nas cimeiras posteriores dos “Três Grandes” (Churchill, Roosevelt e Estaline) em que já se decidia sobre os despojos da guerra, Roosevelt tentava minimizar os apetites e exigências de Estaline, mas Churchill entendia muito bem o que rapidamente estaria em causa. Roosevelt não chegou a ver as consequências da sua inércia, mas Churchill, que lhe sobreviveu, provou ter razão.

 

(Foto: Reuters/Andrew Kravchenko)

 

 

A experiência sobre a ocupação soviética anterior levou letões, lituanos, estónios e ucranianos a iniciarem uma luta de guerrilha contra o seu “velho” ocupante: o Exército Vermelho. Entre 1944 e 1950, guerrilheiros mais ou menos organizados destes países, tentaram resistir, mas o seu papel acabou por ser inglório e nunca conseguiu o seu objectivo principal: levar à intervenção do Ocidente. Só na Ucrânia este movimento de resistência chegou a contar com 400 mil homens. Nas Repúblicas do Báltico, esses movimentos eram mais pequenos, mas ficaram conhecidos como os “Irmãos da Floresta”, o que lhes conferiu, posteriormente, uma aura mística e um certo estatuto de lenda. Mas contra um exército de milhões, que utilizou as tácticas mais abjectas, pouco ou nada poderia ser feito a não ser morrer à procura da glória.

 

O resto da história já sabemos mais ou menos como foi: depois de esmagada a resistência, a Ucrânia voltou a ser uma República Soviética, tal como os pequenos estados do Báltico, enquanto nos restantes países de uma Europa de Leste ocupada, Estaline instalava regimes fantoches que servissem os seus interesses. Todos esperariam mais de 40 anos até voltarem a sentir o doce sabor da liberdade.

Olhando para estas imagens, e percebendo um pouco desta história, talvez saibamos de antemão como esta nova "batalha", em Kiev, vai terminar.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 12:47 | link do post | comentar

Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
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