Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

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A campanha não entusiasmou, porque não podia entusiasmar. Houve demasiada confusão, ruído comunicacional, pouca clarividência. Por certo, a confusão foi benéfica para quem gosta de fazer da política um mero palco onde há cada vez menos espectadores interessados nas dores de parto. Isto naturalmente beneficiou quem tem mais a perder do que a ganhar, quem está mais para destruir do que para construir, logo beneficiou mais os candidatos da esquerda do que Marcelo Rebelo de Sousa. É um facto.

Foi aliás notória a tentativa de colar a presidência aos governos e a situações hipotéticas como se uma presidência fosse resumida em questões de sim ou não ou feita dos humores de momento ou dos dramas de ocasião. Só que a alta política exige ponderação, reflexão, análise cuidada dos caminhos em cima da mesa, e não um ver se te avias a ver quem tem a resposta mais interessante, mais polémica ou que possa ter maior amplitude comunicacional. Não é isso que interessa, não é isso que importa.

O que interessa é percebermos que um presidente não decide com base em adágios, em provérbios, ou em frases feitas declamadas sobre cantigas de intervenção; que um presidente não decide exclusivamente suportado na sua área política de origem; que um presidente não é um líder de facção ou de metade de um país contra a outra metade.

O que importa é interiorizarmos que um presidente representa Portugal e os portugueses, representa a nossa história, é um símbolo do país que merece respeito, coisa que muitos não tiveram por quem nos representou nos últimos dez anos; que um presidente não se deixa abater pelas críticas; que um presidente decide pela sua cabeça e não vai atrás do que pensam os outros; que um Presidente tem autonomia e não responde a supostos favores.

É por isso que vou votar Marcelo Rebelo de Sousa neste domingo. Não há outro candidato capaz de corresponder de forma tão eficaz ao que se exige a um Presidente da República. E eu quero alguém na Presidência da República que me dê garantias que vai decidir (quando precisar decidir), não para o meu lado, mas com justiça, independentemente do lado onde essa justiça estiver.

Nota final: Uma palavra de apreço a Henrique Neto – pela capacidade que demonstrou e o respeito que conquistou – e um obrigado sentido ao Tino de Rans – pela autenticidade revelada e porque num tempo em que um ministro troça daquele que é um dos maiores artistas nacionais, nada como ver um verdadeiro homem do povo a dar chapadas de luva branca em muito presumido.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 14:39 | link do post | comentar

1 comentário:
De Carlos a 22 de Janeiro de 2016 às 14:56
E com uma vitória à primeira volta espero eu! :-)


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Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
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