Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

Naquele tempo imaginávamo-nos fechados numa espécie de redil, à espera que nos soltassem para a vida. E, quando o momento chegasse, as nossas vidas – e o próprio tempo – acelerariam. Como podíamos saber que, de qualquer modo, as nossas vid...as já haviam começado, que já levávamos vantagem, que algum dano já fora infligido? E também que a nossa libertação seria simplesmente para um redil maior, cujas fronteiras eram no início indiscerníveis. Entretanto, tínhamos fome de livros, fome de sexo, éramos adeptos do mérito e da anarquia.”

Tony Webster viveu toda uma vida aparentemente normal: teve as suas fraquezas de juventude, estudou, arranjou um emprego, teve uma carreira, casou, teve uma filha, divorciou-se. Agora, reformado, olha para trás e julga ter pautado toda a sua existência com correcção e sem nunca ter magoado ninguém. Mas, e como acontece quase sempre, o passado, que tantas vezes julgámos distante, regressa para criar verdadeiros tormentos. E é então que ele descobre que a memória – a sua memória – pode ser traiçoeira e que certas coisas que ele viveu não foram vividas como ele pensa que as viveu.
À medida que Tony vai descobrindo que os seus actos – esquecidos ou reinventados na memória – tiveram, afinal, consequências, ele vê-se, perante a verdade, acossado pelo remorso e pela impotência, percebendo essa impossibilidade de remover ou de corrigir o passado.
Quando se lê um livro desta craveira, inundado de passagens sublimes, percebemos que escrever sobre a vida é também revelá-la na sua impiedade. E a vida é impiedosa porque todos nós temos dramas que tentamos esquecer, medos que não queremos mostrar e falhas que não queremos reconhecer.Ver mais


publicado por Bruno Miguel Macedo às 11:05 | link do post | comentar

Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
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