Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

1- Duas grandes empresas (a A e a B) lutam num mercado concorrencial pela liderança do seu segmento. As empresas são muito parecidas entre si, razão que as leva à alternância na liderança ao longo do tempo.

 

2- Em 2011, a empresa B caiu após 7 anos de liderança sucessiva no mercado devido a problemas graves e defeituosos com a utilização dos seus produtos. Quem aproveitou esta catástrofe foi a empresa A que ganhou quota suficiente (com a ajuda de um acordo comercial com um concorrente mais pequeno, a empresa C) para garantir mais de 50% do mercado.

 

3- Depois da perda da liderança do mercado, a empresa B apostou tudo num novo líder e numa nova estratégia de marketing que passaram, essencialmente, por negar o passado e os problemas dos seus produtos e apontar para metas e objectivos futuros.

 

4- Entretanto, a empresa A, em conjunto com a empresa C, enfrentou um período em que perdeu algum fulgor no mercado, revelado nas sucessivas demonstrações de resultados intercalares que manifestaram o crescimento da empresa B e da sua estratégia e a queda dos resultados das empresas A e C. Toda a gente concordou que os consumidores são mesmo muito voláteis e que muito facilmente viram as costas aos produtos que antes consumiam.

 

5- Aparentemente, este crescimento da empresa B (associado à queda de resultados das empresas A e C) parece não ter deixado satisfeito alguns dos accionistas da empresa que desejam que as suas posições e acções valorizem rapidamente. Os fins justificam os meios, dizem eles.

 

6- Esta situação levou o gestor da empresa B a ter de requerer uma avaliação (interna e externa, e sob o chapéu de um auditor de idoneidade inquestionável) aos accionistas, mas também aos consumidores dos seus produtos. O inquérito foi lançado e são estes que definirão agora o seu destino. Um grupo de accionistas tem, inclusive, um novo administrador, vindo de um sector de negócio mais pequeno, preparado para substituir o actual em caso de avaliação negativa.

 

7- Perante o drama interno na empresa B, a empresa A e C olham para o mercado com novos olhos: sabem perfeitamente que estes problemas afectam a imagem externa da empresa B e os seus resultados. Num outro prisma, começam a reconhecer que algumas das suas ideias começam a dar alguns resultados positivos, o que lhes dá um especial ânimo num período mais complicado e até a possibilidade de renovarem o seu acordo comercial.

 

8- Nos restantes competidores no mercado, saliente-se que a empresa D (mais conservadora, mas praticamente inalterável no tempo) e a empresa E (que após um crescimento extraordinário inicial começa a limitar a sua quota aos 3-4-%) também sorriem optimistas para a potencialidade de crescimento que o drama na empresa B pode proporcionar.

 

9- A este optimismo nas empresas A, C, D e E soma-se, ainda, o optimismo de um conjunto de novas empresas que estão prestes a entrar no mercado com a ajuda dos fundos europeus.

 

10- No próximo domingo será conhecido o resultado da avaliação do administrador da empresa B. Apesar de interna e externamente existir muita contestação a esta avaliação, ninguém consegue prever o que vai acontecer. Mas dê por onde der, o mercado nunca mais será o mesmo.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 14:54 | link do post | comentar

Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

Os incêndios que matam pe...

A síndrome socialista

Soltar os cães

Um argumento

Regressando

Um papel

A cartilha

Prometeu

Um ou dois milagres

Uma nomeação

arquivos

Outubro 2017

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Maio 2015

Abril 2015

Setembro 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

tags

anáfora

antonomásia

benevolentes

blanchett

bloco

cate

charme

dench

djisselbloem

eufemismo

eurogrupo

guerra

gwyneth

helen

jonathan

judi

littell

metáfora

mirren

paltrow

perífrase

porto

prosopeia

renda

sela

socialismo

twitter

ward

todas as tags

links
blogs SAPO
subscrever feeds