Terça-feira, 22 de Maio de 2012

O governo, à nora, insiste numa receita cujos resultados são sempre diferentes dos esperados e desmentidos, pasme-se, pelas estatísticas (sim, já não se fazem estatísticas como antigamente). Entretanto, tudo o que havia sido prometido cai por terra: o 2013 passou para 2015, o 2015 passou para 2018, o 2018 passou, com sorte, para 2235. Isto com elevada dose de optimismo, no sentido progressivo do termo.

Pior mesmo, só aquela micose que me dá graças à sensação que me enganam quando o provisório é afinal permanente, o inverosímil é mais do que tudo verosímil e o “não haverá mais medidas adicionais de austeridade” significa “haverá mais medidas de austeridade, só não sabemos bem como é que vamos sacar mais dinheiro a estes otários que trabalham e ainda não perderam o emprego”. Nesta altura, confesso-vos, a comichão exagera, mas também pode ser do bolso leve ou dos impostos que me roubam. (Tenho de mudar de gel de banho.)

Mas espantemo-nos todos com a surpresa que o governo teve com a subida descontrolada do desemprego. Ao fim e ao cabo, o governo passa pelo trauma que uma criança enfrenta quando descobre que não existe Pai Natal. O mesmo senti eu, quando descobri, por culpa própria, que um carro sem gasolina não anda, a não ser que seja empurrado, ou novamente enchido. Que teimoso!

Vale que no mar de excepções em que alguns vivem, apenas se confirmam as regras escritas pelos próprios para os próprios que aqui são outros, embora sejam, na verdade, sempre os mesmos. Aliás, as anteriores políticas de reforma (manifesto eleitoral, legitimado, e livro, publicado e tudo) celeremente ficaram em meras reformas de política, na velha tradição de baralhar para dar de novo, como numa boa sueca, onde o mais batoteiro fica sempre com os trunfos todos.

No ocaso triste deste nosso destino, onde nem o primeiro-ministro parece contar, manda definitivamente o homem das finanças que o resto, se conta, conta nada ou conta pouco ou chama-se tróica. Eis uma triste história portuguesa.



publicado por Bruno Miguel Macedo às 17:41 | link do post | comentar

Publius Cornelius Tacitus
To ravage, to slaughter, to usurp under false titles, they call empire; and where they made a desert, they call it peace.
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